O Dr. Évora tinha com as pessoas o mesmo grau de exigência que tinha com a tecnologia. Estando geralmente limitado nas suas opções de escolha pela situação já existente, procurava evitar que as pessoas se instalassem nas suas "zonas de conforto" e perdessem a ambição de ir mais além.
Várias vezes o Dr. Évora partilhou comigo questões relacionadas com as pessoas que trabalhavam consigo, demonstrando uma preocupação que ia muito além do simples rendimento enquanto colaboradores da SRAP, e entrava em questões mais profundas como o seu crescimento pessoal e profissional e a possibilidade de abraçarem outros desafios no futuro, dentro ou fora da SRAP. Esta acção era desenvolvida diariamente, mesmo aparentemente sem o apoio dos próprios, que prefeririam possivelmente continuar no mesmo ritmo e a fazer as mesmas coisas até à reforma.
Hoje, quando olho para os antigos colaboradores do Dr. Évora e vejo o seu crescimento e as diversas funções que exercem, quer em empresas, quer na Administração Pública, quer em organizações da sociedade civil, não posso deixar de pensar "quem os viu, e quem os vê" e de sentir o "dedo" do Dr. Évora na sua evolução. Será que eles sentem essa influência e lhe dão esse crédito?
No BI era "José Manuel Évora Garcia", para a generalidade das pessoas que trabalhavam com ele era "Dr. Évora", e para os colegas mais próximos era simplesmente "Zé Évora" ou "Évora".
Fica aqui o meu testemunho, para a família, para os amigos, e para não me deixar esquecer.
Maio de 2009