No BI era "José Manuel Évora Garcia", para a generalidade das pessoas que trabalhavam com ele era "Dr. Évora", e para os colegas mais próximos era simplesmente "Zé Évora" ou "Évora".

Fica aqui o meu testemunho, para a família, para os amigos, e para não me deixar esquecer.


Maio de 2009

Uma visão muito à frente do seu tempo

Depois de colocar em marcha o processo de informatização da SRAP, criando uma infraestrutura base de computadores ligados em rede e de impressoras partilhadas, o Dr. Évora avançou para a fase seguinte, a da criação de uma infraestrutura de dados e aplicações destinadas a melhorar a gestão corrente e a capacidade de tomada de decisões.

Esta iniciativa deu origem a um conjunto de aplicações feitas internamente para as mais diversas áreas, e ao grande projecto de registo e processamento da informação das explorações agro-pecuárias, que veio a ter o nome de Sistema de Informação das Explorações Agro-Pecuárias da Região Autónoma dos Açores (SIARA).

Alguns dos principais objectivos do SIARA só começaram a ficar claros uns anos mais tarde, quando alguns especialistas internacionais em tecnologia começaram a escrever livros sobre Decision Support Systems e Data Warehouses. Estes temas começaram a ser falados em Portugal quase 10 anos depois da iniciativa do Dr. Évora, e terão atingido alguma expressão quase 15 anos depois dessa iniciativa.

Os valores indicados definem com razoabilidade o intervalo - 10 a 15 anos - para o avanço que o Dr. Évora tinha em termos de mentalidade para a adopção de tecnologia face à media do nosso País, um avanço que, aplicado à escala da tecnologia, é "esmagador". Este avanço era possível devido a um espírito curioso de busca e análise incessante das novidades e a um espírito prático de avaliação da melhor relação custo/benefício, beneficiando, naturalmente, de uma hierarquia capaz de dar confiança e meios às pessoas que escolhe para trabalhar consigo, e de inexistência de "forças de bloqueio" ou interesses instalados.